Paróquia da Casa da Ribeira

A Paróquia da Casa da Ribeira foi criada nos termos do decreto firmado pelo bispo D. Manuel Afonso de Carvalho,
em 6 de julho de 1964 - ORAGO - SÃO JOÃO BASTISTA

Casa da Ribeira

 

A Paróquia da Casa da Ribeira foi criada nos termos do decreto firmado pelo bispo D. Manuel Afonso de Carvalho, em 6 de julho de 1964 - ORAGO – SÃO JOÃO BASTISTA

“Considerando que o Curato de S. João Baptista da Casa da Ribeira, lugar da Vila e Paróquia de Santa Cruz da Praia da Vitória, Ilha Terceira, desta Nossa Diocese, tem uma população de mil e quinhentos habitantes;

Considerando que existe neste lugar, uma igreja devidamente ornada e dotada com todas as alfaias destinadas ao culto;

Considerando que a maior parte da população tem dificuldade em se deslocar à igreja Matriz, devido à grande distância;

Considerando que, devido à grande população da paróquia de Santa Cruz da Praia, em número de 4.502 habitantes, não é possível atender-se ao bem espiritual dos fiéis conforme o can.476;

Considerando que os habitantes do referido Curato se comprometem a contribuir com o necessário para o sustento do culto e dos seus ministros, segundo o can. 1410;

Tudo visto e ponderado, depois de ouvido o Cabido da Sé Catedral e todos os interessados, Havemos por bem:

Determinar como limites da nova paróquia os já fixados, desde tempo imemorial, para o referido Curato, a saber:

  1. Pelo Norte = a linha divisória do centro da Cruz do Pico Celeiro, segue rumo a nordeste em linha recta, até duzentos metros antes da Estrada Municipal das Presas da Praia, no ponto limite entre Fontinha e Santa Cruz da Praia da Vitória; segue deste ponto para leste, confrontando, quase paralelamente, à distância de cinquenta metros, com a Estrada de Vale Farto da Praia da Vitória, indo interceptar a Estrada Nacional 2-1.ª, tendo junto um Fontenário, à direita da mesma Estrada.
  2. Pelo Leste = a linha divisória começa junto ao Fontenário, acima citado, segue pelo centro da Canada do Velhaco, prolonga-se pelos atalhos até ligar-se à Ribeira de Santo Antão, segue pela mesma até, cruzando a Estrada Nacional, N.º 1-1.ª, e ir ter ao mar.
  3. Pelo Sul =a linha divisória começa na costa marítima, no local onde desagua a Ribeira do Santo Antão, segue pela mesma costa e, cruzado com a Estrada Nacional N.º 1-2.ª, à distância de cinquenta metros por detrás do Império das Tronqueiras, segue para o Sul, paralelamente à Estrada Nacional 1-1.ª, mantendo a mesma distância de cinquenta metros; sobe até cortar a Estrada Nacional 1-1.ª, no ponto situado à distância de duzentos metros dum Fontenário, situado na dita estrada, junto da Canada dos Picos, confrontando em toda a linha com Cabo da Praia e, no ponto em que corta da Estrada Nacional 1-1.ª, com Fonte do astardo.
  4. Partindo deste cruzamento na Estrada Nacional 1-1.ª, a linha divisória toma o rumo Oeste, em linha recta, até à Serra do Cume; volta a noroeste, em linha recta, pelos pontos mais altos da mesma Serra até se encontrar com a Estrada Nacional 2-1.ª, que corta a dita Serra, voltando ao Norte, pelo centro da mesma estrada até à Cruz do Pico Celeiro ponto de partida, sendo a referida estrada a linha divisória entre a Casa da Ribeira e as Fontinhas.

Passe-se o instrumento de sentença, na forma do estilo e publique-se no Boletim Eclesiástico dos Açores”.

O adro e o soalho em acácia da paroquial datam igualmente de 1976.

No tempo em que os enterramentos eram nas igrejas, os defuntos deste lugar sepultaram-se na ermida de S. João, passando depois a sê-lo no cemitério da Vila da Praia da Vitória, o que ainda hoje sucede.

As maiores solenidades anuais da paróquia são realizadas em louvor do orago, S. João, e da Virgem de Fátima, na data própria e no último domingo de Outubro, respectivamente.

 

Casa da Ribeira – história

Três quilómetros a poente da Cidade da vila da Praia da Vitória, no fim da via que se estende ao longo da ribeira do Belo Jardim, situa-se a povoação da Casa da Ribeira – designativo extraído da ribeira local. Diz remota tradição, até nós chegadas via oral, que o nome provém da CASA junto DA RIBEIRA, na encosta do monte, da qual ainda se enxergam as ruínas, e pertença fora de filho de um Conde. Talvez mais não tivesse sido do que o filho do Cavaleiro de Espora Dourada adiante referido, já que rasto ali não situamos de qualquer fidalgo titular.

João Gonçalves Duraço de Barros, abastado morador do lugar, em Março de 1545 instituiu a capela de S. João de Latrão em cabeça de morgado. E vindo o seu filho herdeiro, Pedro de Barros Duraço, ao tomar posse dos bens, a 18 de Fevereiro de 1555, mandou afixar uma pedra com a inscrição seguinte, ainda existente na parede exterior do templo: ”Aqui jaz João Gonçalves Duraço de Barros, cavaleiro de Espora Dourada, que mandou fazer esta igreja e deixou um morgado que a sustenta”.

João Gonçalves Duraço de Barros, ouvidor da cidade de Azamor e falecido em Aveiro, casou com Catarina Varela Vilas-Boas. Seu pai, Lançarote Gonçalves Duraço de Barros, veio em mercancia da ilha da Madeira para a Terceira por volta de 1500, no tempo do segundo donatário da Capitania da Praia, Antão Martins Homem. E aqui enriqueceu, por duas vezes se matrimoniando: com Margarida Martins (ou Lopes), de quem procede João Duraço de Barros; e com Isabel Lopes Martins, de quem teve vários filhos.

O seu último descendente directo, herdeiro do dito morgado, Catarina do Couto Machado, nasceu em Porto Judeu a 3 de Fevereiro de 1669 e nesta mesma paroquial se consorciou a 7 de Maio de 1696, com Tomás Borges Leal.

“O Padre António Cordeiro dá a este lugar da Casa da Ribeira sessenta vizinhos, e diz que a ermida de S. João de Latrão foi por Burla Apostólica enriquecida para os que a visitam, e se sepultarem nela” – anota o Padre Jerónimo Emiliano, que adianta: “Hoje sua população acha-se triplicada. Seus campos são mui férteis em trigo, milhos, e batatas; mas suas casas pela maior parte palhaças e colocadas à borda de uma grande ribeira, que só corre no tempo das chuvas, tornam aquelas moradias menos agradáveis. Este lugar foi quase todo arrazado pelo terramoto de 15 de Junho de 1841; presentemente suas moradias estão reedificadas, melhoradas e mais bem construídas. A ermida de S. João é o único edifício, que ainda se acha em grande estado de ruína.

Um pouco acima desta ribeira há uma grande encosta, ou serrania coberta de arvoredos, contendo alguns pomares, e uma das quintas mais magníficas, e agradáveis da ilha. Os terrenos baixos junto à serra estão plantados com laranjais, e os lugares declives vestidos de árvores frutíferas, que formam como um anfiteatro de verdura. Do cume da serra em diferentes lugares correm várias fontes, que não só abastecem os povos daqueles arredores, mas ainda encanadas por um grande aqueduto de meia légua, vão fornecer os chafarizes da Vila da Praia da Vitória. Todas aquelas elevações enriquecidas de excelentes frutas, e regadas de correntes cristalinas oferecem no estio um recreio mui doce e aprazível.

Os esquadrões numerosos de elevados álamos e faieiras, que ornam aquelas encumiadas, e formam vários passeios de uma gruta sombra e fresca; a quantidade indizível de laranjeiras, de limoeiros, de macieiras e de pessegueiros vergados de formosos, e saborosíssimos pomos; o quadro imenso de campinas agricultadas, que se apresenta aos olhos, tendo em frente a brilhante, e majestosa Vila da Praia da Vitória com sua magnífica baía não podem deixar de transportar o espectador; porém semelhantes quadros são mui ordinários na ilha Terceira; em quase todos os seus pontos, ela apresenta iguais painéis, cheios de encantos e belezas”.

Refere Drumond, nos Apontamentos, que, por Alvará de 20 de Junho de 1691, o bispo D. Fr. João dos Prazeres elevou a Curato a ermida de S. João da Casa da Ribeira. A sê-lo nesta data, e nada em contrário sabemos, tê-lo-á sido por D. Fr. Clemente Vieira, décimo sexto prelado diocesano, não por João dos Prazeres, que faleceu em 1 de Fevereiro de 1685. E Sua Majestade o confirmou no padre João Gonçalves de Almeida.

O mesmo investigador, que vinte e oito anos gastou na busca de elementos para os seus Anais, a obra histórica mais credenciada de que dispomos, anota ser “desigual” este sítio, “ mas bem abrigado”, adiantando: “nele se cultivam muitos cereais e pela proximidade dos pastos, se criam bastantes gados”.

Efetuou-se em 25 de Março de 1908 a condução processional de uma imagem para S. João da Casa da Ribeira, bem como a cerimónia da bênção da igreja, acabada de reconstruir.

Lugar sadio. Abundante em águas, abastecendo a Vila próxima.

De linhas vulgares e comuns, restaurada em 1976, a igreja nada oferece de assinalável, excepto a inscrição tumular já aludida, além do arco triunfal, valiosa peça em pedra quiçá do século XVIII. As imagens do Orago, ladeadas pelas de Santo Izidro e de S. Sebastião, mas repintadas e abastartadas, situam-se no altar-mor. No lado da Epístola, aparecem as da Virgem de Fátima e do Menino Jesus de Praga, enquanto que no da banda do Evangelho sobressai a de Nossa Senhora da Esperança, também do século XVIII e enfermando do mesmo defeito.

in “Freguesias da Praia” de Pedro Merelim