História de Santa Cruz

A Freguesia de Santa Cruz e a Cidade da Praia da Vitória, confundem-se um pouco, porque a Freguesia engloba a Cidade e toda a sua periferia. Assim sendo, é inevitável que ao falarmos de Santa Cruz, não se fale da Praia da Vitória.     

História

Desde o início do povoamento da ilha Terceira que a Praia desempenhou um papel de destaque na história local. Aqui se estabeleceu a sede da primeira capitania da Terceira (1456 a 1470) comandada por Jácome de Bruges primeiro capitão donatário da ilha. A Praia foi proclamada Vila em 1480, ainda no tempo de Álvaro Martins Homem.

No final do século XV e ao longo do século XVI, a Praia, como então se chamava, contribuiu de forma decisiva para a riqueza económica e prosperidade da ilha. Aquando do desembarque do pretendente ao trono D. António Prior do Crato, este foi aclamado rei nesta localidade em 1582.

No final do domínio filipino, foi confiada a Francisco Ornelas da Câmara, a missão de aclamação real e restauração da soberania portuguesa no arquipélago. No dia 24 de Março de 1641, em pleno adro da Matriz de Santa Cruz, Francisco Ornelas da Câmara aclamou D. João IV como rei de Portugal, jurando-lhe obediência, tendo o povo dado vivas e aclamado o novo rei.

Aquando da Guerra Civil Portuguesa e das lutas entre liberais e absolutistas (1828-1834) a Praia, que tomou o partido dos liberais, foi alvo de uma batalha a 11 de Agosto de 1829. A armada miguelista composta por 21 navios e com forças superiores às existentes em terra, enfrentaram os locais que resistiram heroicamente e derrotaram a poderosa armada. Esta vitória leva a que, a 12 de Janeiro de 1837, D. Maria II lhe outorgasse o título “da Vitória”

A sua importância económica foi crescente, apesar do terramoto 15 de Junho de 1841, acontecimento que ficou conhecido como a Caída da Praia, que a destruiu quase por completo. Graças ao empenho de Silvestre Ribeiro, a cidade foi reconstruída, melhorando as condições habitacionais da sua população. Desde então se foi registando um desenvolvimento progressivo da cidade, que viria a atingir proporções mais significativas com a chegada dos Ingleses e Norte Americanos na década de 40, por altura da II Guerra Mundial.

Geografia e Atividade

A freguesia de Santa Cruz, com uma área de 30.15 Km2, estende-se desde a Serra do Facho, que proporciona uma magnifica panorâmica do casario Praiense, bem como da extensa praia em forma de meia-lua, até à encosta sul da serra do Cume, local privilegiado para observação da manta de retalhos da região do Ramo Grande.

No seu centro histórico, encontram-se casas seculares, com admiráveis trabalhos em pedra de cantaria e belas janelas e varandas, compondo harmoniosas fachadas, com elevado interesse patrimonial e arquitetónico.

Junto ao sopé da Serra do Facho encontra-se o Paul que é uma lagoa costeira, associada á existência de um graben e um sistema dunar, localizada na proximidade do centro urbano da cidade, característica que o torna muito raro na Região da Macaronésia.

É uma área de refúgio e nidificação de aves, tornando-se um atrativo para os observadores de aves e foi classificado como zona de interesse internacional pela convenção RAMSAR.

A população do centro da cidade que coincide com a paróquia de Santa Cruz tem como ocupação principal, o comércio e serviços.

Santa Rita é uma paróquia desta freguesia, situada a meio da Serra de Santiago, onde existe o Miradouro General Humberto Delgado, de onde se pode desfrutar de uma vista sobre a Base das Lajes e toda a zona do Ramo Grande. A sua população é na sua maioria dependente do trabalho paralelo existente com a presença da Base das Lajes.

Santa Luzia,uma paróquia desta freguesia que se estende pela estrada 25 de Abril até ao aeroporto. É uma zona essencialmente habitacional na periferia da cidade.

Casa da Ribeira, é uma paróquia que situada encosta da Serra do Cume, devido à sua geologia, possui excelentes condições para produção de laranja e possui a maior área de pastagens da freguesia, dedicando-se a sua população, essencialmente ao cultivo de pomares e pecuária.

Ao longo da sua história, a Freguesia de Santa Cruz, viu nascer inúmeras figuras que pela sua vida e obra se confundem com a da própria Cidade. Exemplos disso são personalidades como Álvaro Martins Homem, Francisco Ornelas da Câmara, Silvestre Ribeiro, Francisco Moniz de Bettencourt (Mendo Bem), Dr. Alexandre Ramos, Dr. Sousa Júnior, Gervásio Lima, entre outros que a evocação destas figuras é relembrar o passado da Praia da Vitória. De entre os mais ilustres praienses, distingue-se Vitorino Nemésio, um dos mais notáveis escritores portugueses do século XX. Destacando-se como poeta e romancista, este ilustre filho da Praia da Vitória, deixou obras como “ Mau Tempo no Canal”, “ Festa Redonda” ou “Paço do Milhafre”, entre outras. Foi ainda apresentador de um dos programas televisivos de maior sucesso na época, “Se Bem Me Lembro”, que o deu a conhecer ao grande público, levando consigo o nome da cidade que o viu nascer e das vivências destas gentes.

População

A Freguesia de Santa Cruz tem uma população de 6.690 habitantes (censos de 2011), com uma densidade de 221,9 p/Km2. Atualmente, com a quebra na construção civil e o desemprego criado pela despovoação da base das lajes tem-se sentido alguma emigração com incidência na população mais jovem.

Tradições

Como todas as freguesias da ilha, existem as tradicionais festas de freguesia. Festas do Espírito Santo, touradas e carnaval, mas em virtude da atipicidade desta freguesia que possui dez Impérios do Espírito Santo e quatro Paróquias, configura o sistema festivo em forma de quatro freguesias, com mais ou menos 35 touradas por ano e com quatro coletividades a receberem danças de carnaval.